segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Dez Filmes Gay

Um dia desses eu estava conversando com uma amiga minha, que dizia que alguns de seus amigos gays costumavam dizer que um dia eles (os gays) iriam dominar o mundo. Não sei se isso vai mesmo acontecer, ou se já está acontecendo, mas o mundo dos artistas sempre dá um passo adiante nas revoluções sociais. Assim que acabou a edição do Globo de Ouro de 2005, muitos falaram que essa foi a edição mais gay da história do prêmio. Senão vejamos: melhor filme (drama): “O Segredo de Brokeback Mountain”, atriz (drama): Felicity Huffman, pelo filme “Transamérica”, que trata de um transexual; ator (drama): Philip Seymour Hoffman por “Capote”, sobre o célebre escritor Truman Capote, gay assumido. Claro que isso foi repercutir também no Oscar. “O Segredo de Brokeback Mountain” foi o recordista das indicações nesse ano. Os outros dois filmes também ganharam destaque.

Aproveitando o hype em cima do tema, lembremos de alguns ótimos filmes que traziam protagonistas homossexuais. Lembrando que eu deixei de fora filmes “suspeitos”, isto é, que traziam apenas nas entrelinhas subtextos homo, como “Top Gun” ou “Rio Vermelho”.

1. A LEI DO DESEJO, de Pedro Almodóvar. Bem diferente da sutileza de Ang Lee, o Almodóvar dos anos 80 era visceral, subversivo e sem frescuras. Pra um filme gay, “A Lei do Desejo” é também bastante agressivo e as cenas de sexo são quase explícitas. Já faz muito tempo que vi esse filme no cinema, mas acho que até hoje nunca vi nada tão forte no gênero.

2. MORTE EM VENEZA, de Luchino Visconti. O mais aristocrata dos cineastas do mundo era gay e “Morte em Veneza” talvez seja um de seus filmes mais pessoais, ainda que seja a adaptação de um romance de Thomas Mann. Não era um roteiro escrito pelo próprio cineasta. O filme mostra a paixão de um homem doente por um adolescente de feições andróginas na Veneza dos tempos do cólera.

3. FELIZES JUNTOS, de Wong Kar-wai. O relacionamento conturbado de dois namorados que moram em Hong Kong e vão passar as férias na Argentina. Um filme sobre os altos e baixos de uma relação, com uma belíssima fotografia e as já conhecidas elipses de Kar-wai.

4. AS REGRAS DA ATRAÇÃO, de Roger Avary. Filme sobre uma ciranda de paixões das mais diversas envolvendo um bissexual, uma garota virgem, um traficante de drogas e um namorado ausente. Um filme com uma narrativa não-linear a cargo do roteirista de “Pulp Fiction”. Compre o filme aqui!

5. TRAÍDOS PELO DESEJO, de Neil Jordan. Na época que “Traídos pelo Desejo” surgiu nos cinemas, os responsáveis pelo marketing do filme recomendavam aos espectadores a não contar o final do filme pra ninguém. Pena que quando o filme chegou no Brasil todo mundo já sabia que a tal namorada de Stephen Rea era um transexual. Ainda assim, não deixa de ser surpreendente a cena da revelação.

6. MISTÉRIOS DA CARNE, de Gregg Araki. Esse filme pôde ser visto recentemente nos cinemas. “Mistérios da Carne” narra em paralelo a vida de dois rapazes que estudaram juntos na infância. Quando crescem, um vira garoto de programa para homossexuais e o outro fica obcecado por discos voadores. Filme “pancada”.

7. DEUSES E MONSTROS, de Bill Condon. A relação entre o diretor James Whale (dos clássicos “Frankenstein” e “O Homem Invisível”), vivendo seus últimos dias de vida, e um jovem que trabalha em sua casa como jardineiro. O diretor Bill Condon exploraria novamente a temática homo em filme mais recente: “Kinsey – Vamos Falar de Sexo”.

8. MENINOS NÃO CHORAM, de Kimberly Peirce. O filme que deu o primeiro Oscar para Hilary Swank, que levou a segunda estatueta no ano passado, com “Menina de Ouro”, de Clint Eastwood. “Meninos não Choram” trata da dificuldade de uma moça que tenta viver como um rapaz numa cidadezinha do interior dos EUA. O filme é uma tragédia barra-pesada. Destaque para a cena de sexo entre Hilary e Chloë Sevigny.

9. DESEJO PROIBIDO, de Jane Anderson, Martha Coolidge e Anne Heche. A mesma Chlöe Sevigny, um ano depois de “Meninos Não Choram”, esteve em outra produção sobre lesbianismo. DESEJO PROIBIDO é um filme de segmentos produzido pela HBO, mostrando histórias que se passam nos anos 60,70 e 2000. Novamente, Chlöe arrasa quando está em cena.

10. MADAME SATÃ, de Karim Ainouz. Pra terminar, um filme brasileiro, dirigido por um cearense e brilhantemente protagonizado por Lázaro Ramos. O filme narra a vida de João Francisco dos Santos, vulgo “Madame Satã”, no Rio de Janeiro da década de 30. Além de homossexual, João Francisco era negro, o que só aumentava o nível de preconceito da sociedade. Felizmente ele tinha muita coragem. E quando precisava partir pra porrada, isso não era problema pra ele.

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