Depois de levar às telas a série de fantasia “O senhor dos anéis” e um remake cheio de efeitos especiais de “King Kong”, o diretor Peter Jackson resolveu mudar de ares e experimentar um drama familiar. O resultado é “Um olhar do paraíso” ("The lovely bones", no original), que chega aos cinemas brasileiros neste fim de semana.
Saoirse Ronan vive Susie, protagonista de "Um olhar do paraíso".
O filme conta a história de Susie Salmon (interpretada pela ótima Saoirse Ronan), uma garota de 14 anos que é estuprada e assassinada. Depois de morta, ela vai para uma espécie de purgatório particular, de onde passa a observar seu assassino e sua família, que tenta sobreviver ao impacto da tragédia.
De lá, ela vê a decadência do casamento de seus pais. O pai, vivido por Mark Wahlberg, vira um obcecado por vingança, enquanto a mãe, interpretada por Rachel Weisz, não aguenta a pressão e sai de casa.
Ela também tenta tomar conta de sua irmã mais nova, Lindsey (Rose McIver), que tenta dar continuidade à sua vida, mas se mostra mais uma vítima potencial do mesmo serial killer que matou Susie - papel que rendeu a Stanley Tucci uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante.
Da leveza à banalidade
A trama, baseada no romance “Uma vida interrompida”, da americana Alice Sebold, é narrada pela própria Susie, que assiste a todo esse drama sem poder interferir na vida terrena.
Lançado em 2002, o livro foi elogiado por trazer descrições brutais. Entretanto, Peter Jackson optou por dar uma abordagem leve à história, tão leve que chega a beirar a apatia ou a banalidade.
Assim, o diretor tenta esfriar a tensão contida na narrativa original com recursos visuais batidos e trilha sonora sem graça. Em vez de aproveitar a mudança de gênero para ousar, Jackson parece ter optado pelo caminho da acomodação, mantendo um pé na fantasia e se apoiando nos efeitos visuais, seus velhos conhecidos.
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